domingo, 8 de maio de 2011
Já reparou como a vida é .
Já reparou como a vida é frágil e surpreende? Um dia você sorri, no outro chora e vice-versa… É confuso, é estranho, mas não foi pensando nisso que comecei a escrever; na verdade eu não sei muito bem o que dizer, como explicar, mas sabe quando você precisa escrever? Quando seus dedos simplesmente perdem o controle e saem digitando sem parar palavras que você nem sequer conhece, mas acha que elas encaixam com o que você sente? Então… Sei que no fim, no meio, ou até mesmo nesse começo a confusão aparecerá, mas eu não me importo, só preciso escrever, só isso, então só dessa vez me deixe errar, me deixe escrever com todo meu coração e tentar explicar o que se passa aqui dentro. O problema é que a chuva me desconcentra, não a chuva, o barulho dela… Cada gota que bate no chão me deixa aflita, me deixa assustada, pois eu não sei como nem quando essa chuva vai passar; não tente entender, mas tudo que sei é que não quero que chova mais, eu preciso de calor, do Sol, do céu azul e limpo para que eu possa ir onde quiser, sem que a chuva me impeça, porque com essa chuva eu não posso sair, não tenho vontade de fazer nada, até porque não quero me molhar, então fico aqui na minha zona de conforto ouvindo o barulho dela e pensando no quanto eu espero que ela pare… E então vejo outro problema nisso tudo, porque se não saio, fico sozinha, e posso ser sincera? Não gosto de me sentir sozinha; porque então pensamentos invadem minha cabeça e eu começo a procurar um porque pra tudo, mesmo pras coisas que não tem explicação… E nisso, lembro do que me fez mal, do que me fez sorrir também e mais lembranças começam a passar diante dos meus olhos e tudo que consigo e posso fazer é ficar em silêncio tentando entender porque lembranças machucam tanto; e mais uma vez um porque está se formando, mais uma vez estou procurando por respostas que nem existem, mesmo assim procuro… E a chuva, mais uma vez a maldita chuva me faz lembrar de quando ele dizia para eu me proteger, para não deixar uma gota sequer tocar em meu corpo, pois poderia ficar resfriada e a distância o impediria de cuidar de mim, que sou tão sensível e mimada. E lembrar dele não me faz bem, não é algo que me deixa feliz, não mais… É como se qualquer lembrança relacionada a ele viesse somente para me atormentar e deixar triste, como se nada mais importasse, apenas essas lembranças infernais que aqui residem, bem ali, em cima do criado-mudo, em um caderno cheio de rabiscos e cartas nunca entregues… E o que me intriga é o fato de ainda pensar nele, mesmo sabendo que isso me faz mal, é que é inevitável não pensar naqueles olhos claros que durante um bom tempo foram o meu guia e naquele sorriso que iluminava a minha vida. É triste relembrar e ter certeza de que hoje somos apenas dois conhecidos, que de certa forma nem se conhecem mais e eu lamento, de verdade por ter deixado você ir, mas eu não me arrependo, espero que saiba disso. Mas não quero mais falar de ti, isso aqui agora é sobre mim e esse incontrolável desejo de escrever, de tentar pela milésima vez escrever algo que preste, algo que faça com que todos percebam como eu realmente me sinto, porque não é fácil se sentir sozinha, sabia? É como se…
é horrível; não existe nada mais horrível do que se sentir sozinha. E é assustador, porque até um tempo atrás eu me sentia acompanhada de alguém sempre, não importa quem, mas me sentia feliz e viva, algo que não sei como é a sensação a muito tempo. Digo, eu estou viva e sinto isso, mas não aquela sensação de felicidade sabe? De acordar sorrindo por ter um motivo pra sorrir, além de viver, por saber que eu fazia parte da felicidade de alguém, por simplesmente sorrir, muitas vezes sem motivo até… E disso eu realmente sinto falta, de sorrir com gosto, com vontade de mostrar a todos a felicidade que sentia e hoje é apenas uma lembrança que eu gostaria que voltasse. E não, isso não quer dizer que eu quero ele de volta, porque antes dele eu era feliz demais e não fazia idéia disso! Na verdade, sabe o que eu queria? Não sentir nada! É, nadinha, nem mesmo saudade, nem compaixão, nem prazer, nem angustia, nem desespero, nem amor… NADA! Porque sentir essas coisas acabaram comigo de uma forma que eu não sei como recomeçar. E por favor, não me peça pra tentar porque eu já tentei mil vezes e tento todos os dias recomeçar e erguer a cabeça, mas toda vez eu preciso olhar para o chão pra ver se ele ainda está lá me sustentando, então acabo a abaixando e consequentemente eu permaneço assim, e faço isso pela minha segurança, porque eu não quero ver o chão se abrindo de novo e cair sem ter alguém para me segurar, eu não quero… Eu não quero me surpreender, mas a vida faz isso. Eu não quero me sentir assim, frágil, com medo de uma chuva boba que aos poucos vai parando e trazendo o silêncio de volta, que sem dúvida é pior do que tudo que mencionei… Então, no silêncio descubro que prefiro a chuva, pelo menos assim ainda há barulho e medo, e lágrimas, e porquês, e ele, e eu tentando entender porque a vida é tão, tão frágil e insiste em me surpreender assim.
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